domingo, 5 de abril de 2015

Vigésimo sexto dia... Limpeza!


Quinta-feira, 05 de fevereiro de 2015.


O céu está desabando em Roma! Dia de muita chuva e muito frio! Conclusão: não consegui ir a lugar nenhum além da escola.

Aproveitei para limpar a casa e deixar tudo em ordem para a minha saída. Ainda faltam dois dias, mas não quero ficar enrolada como o Ivan quando mudou de quarto, pois naquele primeiro dia que fui ao Meeting com a Roberta ele não foi por causa disso. Limpou a casa até tarde da noite!

Hoje, na verdade, houve um encontro dos alunos da escola em uma pizzaria, mas eu esqueci de colocar meu nome na lista e acabei ficando de fora. Mesmo com chuva eu iria, pois de táxi tudo se resolve, mas quando lembrei e me comuniquei com a escola já não havia mais vagas. Perdi a "Serata in Pizzeria"! E ainda tive que ficar em casa sozinha, pois o Ivan e a Roberta foram mais espertos e conseguiram ir.

Enfim, o dia se resumiu a limpar a casa, escrever no blog e dormir (tarde), mas desta vez sem a "deprê italiana".

Para acompanhar minha viagem desde o início:    Como tudo começou...

Vigésimo quinto dia... Uma deprê italiana...


Quarta-feira, 04 de Fevereiro de 2015.


Pois é, o título não está errado. Hoje foi o dia em que a ficha caiu e percebi que este sonho está acabando...

Fui à escola normalmente, mas já com o coração apertado. É estranho participar das aulas, ver os outros planejando a próxima semana, pensando no próximo nível e saber que esta é a minha última semana lá. É estranho ver todo mundo se inscrevendo para o Programa Cultural da semana que vem e, após ter um primeiro impulso de colocar o meu nome nas listas, lembrar que meu tempo termina na próxima sexta-feira. Participar das aulas com alguns antigos e outros novos colegas, com quem deixarei de conviver desta forma em breve, faz o coração doer um pouco. Minhas parcerias super engraçadas com o Luccas nos trabalhos de turma continuam, e já já terminam... (Ah! Esta também é sua última semana.).

Tudo aqui é tão bom, tão diferente e tão bom. Me encaixei tão bem e tão rápido em tudo, me acostumei, me apaixonei por tudo... Como ir embora sem pensar em tudo isso? Um mês parecia ser tanto tempo, e passou tão rápido! E não tinha parado para pensar em tudo isso até hoje. Pelo menos não desta forma. Falta menos de uma semana...

Para completar, meu tempo no alojamento acaba antes. Tenho que desocupar meu quarto no final de semana e conseguir um hotel aqui por perto para ficar até a próxima terça-feira, que é quando parto. Para continuar hospedada no mesmo lugar eu teria que reservar mais uma semana inteira, e não o fiz. Antes parecia que iria sair muito caro fazer isso, por fim vejo hoje que teria sido a melhor solução, pois a sensação de ter que antecipar a despedida não esta sendo nada boa. Além disso, acho que financeiramente não fará diferença, porque a diária de um hotel não é barata. Não sei onde estava com a cabeça que não constatei isso antes! Enviei um e-mail para a escola hoje para tentar ficar por aqui.

Nesse ritmo fiquei em casa quase o dia todo me permitindo viver esta deprê. Tudo que aprendi sobre aproveitar o tempo e tal, ainda mais agora na reta final, continua aqui, mas hoje foi o momento de colocar os pés de volta no chão e começar a pensar em acordar do sonho. Eu vou aproveitar todo o tempo que me resta, mas hoje eu só fazia chorar. Estou com saudade de todos no Brasil, mas está sendo estranho... Foi uma tarde de cama, chá, pouca conversa com os meninos e muita reflexão...

Só que quando anoiteceu resolvi sacudir a poeira e sair! A Roberta havia me chamado para ir ao Meeting e inicialmente eu não ia. Mas num determinado momento acordei do "transe", coloquei uma roupa legal e fui encontrar com ela (aliás, eles, pois o Ivan já tinha ido) em um barzinho lá perto. Até hoje não descobri o nome do bar, mas que lugar gostoso! Aconchegante, estiloso, com música e bebidas ótimas... Excelente!

A noite correu muito animada, e a longa degustação de drinks e cervejas até que me fez esquecer rápido o baixo astral! rs.. Não me atrevo a tentar dizer tudo o que aquelas bebidas continham, porque nem tudo eu entendia! rs.. Mas eram boas! A coisa mais diferente que sei que bebi foi um drink feito com Pisco, uma bebida que tem suas variações Chilenas e Peruanas. O Ivan bebeu um outro feito com pimenta, tão forte que a boca chegou a ficar inchada (não me atrevi a experimentar!)! rs.. Já a cerveja era basicamente a Corona, para não errar.

De lá ficamos um pouco no Meeting e depois paramos no barzinho de ontem para comer alguma coisa antes de voltarmos para casa.

Enfim, após um dia tristonho, uma noite muito feliz!

* Não tirei muitas fotos, pois os bares tem uma iluminação "fraca" para ficar mais aconchegante e a câmera do meu celular não é muito boa nessas condições. Então tirei algumas só para tentar registrar a noite...

Drinks no primeiro Bar...


Meeting...


Haha! É, isto é sim uma caveira  sentada em uma cadeira! rs.. Um dos detalhes da decoração do Meeting! Ela está pregada na parede bem no alto, fica acima de nossas cabeças! Nossa, como eu queria estar com uma câmera boa!



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sábado, 21 de março de 2015

Vigésimo quarto dia... Mais um dia feliz em Roma!


Terça-feira, 03 de Fevereiro de 2015.


Como o previsto, é claro que hoje não houve condições de ir à escola. Ivan e eu dormimos a manhã inteira!

Ah! E uma novidade! Chegaram dois novos moradores para o alojamento. Dois brasileiros! Eles chegaram no final de semana, mas como não estávamos aqui os conhecemos assim que chegamos. O Raphael é de São Paulo e o Thales de Porto Alegre. Agora quem começou a ficar um pouco perdido foi o Ivan, tadinho, porque não há meios de falarmos exclusivamente em italiano dentro de casa sendo agora três brasileiros. Nós bem que tentamos, mas sempre acabamos caindo no português automaticamente.

Bem, mesmo com todo o cansaço, o Ivan me chamou assim que acordamos para ir ao shopping com ele, pois precisava comprar roupas e calçados mais quentes. Antes de voltarem para o Chile, ele e o Franco irão viajar pela Europa, e o perrengue de frio que passamos no final de semana mostrou que é preciso procurar reforço.

E foi um dia muito tranquilo. Sem grandes aventuras, mas um "tipo" de dia que como tantos outros me fez sentir-me "moradora" de Roma. Simples, e por isso também especial. Andamos praticamente o dia todo, pois ele é muito parecido comigo para comprar: olha tuuuudo, pensa, veste, analisa... Tá certíssimo! O melhor é que ele ainda foi mais feliz que eu em minha última ida lá, pois encontrou tudo o que precisava.

Quando voltamos para casa, após uma conversa bem animada com "nostri amici brasiliani", nós dois ainda saímos de novo. Fomos a um bar "qui vicino" papear um pouco sobre a vida e tomar uma "birra" para encerrar o dia. Cansaço? Não tenho tempo para ele! Faltando apenas uma semana para isso tudo aqui acabar, cansaço é uma coisa que não consegue me segurar por muito tempo.

Uma coisa que tenho aprendido desde a semana anterior à viagem é a dar valor ao tempo. Não me permito mais perder tempo com coisas desnecessárias. Não me permito mais perder oportunidades, ficar parada ou desperdiçar meu tempo que é tão precioso com "não prioridades". Antes de viajar, como ficaria muito tempo longe da minha família e amigos, o que faria com cada minuto que a antecedia foi cuidadosamente planejado para aproveitar ao máximo a companhia das pessoas mais importantes em minha vida, ir aos lugares mais  queridos e fazer coisas que não faria por muito tempo. Foi impressionante como minha percepção a respeito da minha vida e do valor do tempo ganhou um outro olhar. Era uma contagem regressiva em que eu não me permiti perder tempo com algo ou alguém que não valesse a pena. Meu curto tempo daquela semana era para os meus.

Fiquei pensando então em quem descobre isso a beira da morte, e agradeci e agradeço até hoje a Deus por me ensinar tudo isso às vésperas de realizar um sonho tão esperado, por me trazer estes ensinamentos num momento de extrema felicidade.

E agora, aqui, e a cada dia deste mês, estes ensinamentos a respeito do tempo continuam me acompanhando. A riqueza de cada minuto não pode ser desperdiçada. A companhia das pessoas que passaram a ser importantes para mim aqui e que depois nem sei se voltarei a ver... As ruas pelas quais passo todos os dias, que fazem parte da minha rotina, e que quero gravar em todos os detalhes na minha memória... A escola, onde aprendi a gostar de tanta gente e com a qual me acostumei tão rápido... A companhia dos meus amigos de classe, de tantas partes do mundo, que provavelmente nunca mais voltarei a ter desta forma... O capuccino no Bar perto da escola (aaaaah, o cappuccino! Não sei como vai ser minha vida sem ele!) e simpatia do atendente com aquele "Buongiorno!" tão animado... Tantos lugares que ainda quero conhecer... Tanta história para ver, tocar... Tantos lugares que quero voltar antes do retorno ao Brasil... Não tenho tempo para perder tempo!

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Ah! Podem comentar, tá, gente? Criei o blog inicialmente para registrar a viagem e compartilhar com minha família e amigos, mas vejo que muitas pessoas de longe leem e fico feliz com isso, pois é sempre bom poder partilhar experiências com as pessoas. Então gostaria muito de conhecer vocês, saber de onde são... Escrevam! Comentem! Vou adorar conhece-los!

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Para quem lê sempre há a opção de seguir o blog, para facilitar o acesso às atualizações. O local de inscrição está ali na barra lateral. >>>

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domingo, 15 de março de 2015

Vigésimo terceiro dia... Veneza, la Città dell'amore!


Segunda-feira, 02 de Fevereiro de 2015.


Bom dia, Ortisei! Hora de ir...

Apesar de tudo que a viagem ainda reservava, foi difícil me despedir daquele lugar. Parece que vivemos durante dois dias em outra dimensão.

Não conseguimos sair tão cedo quanto gostaríamos, pois arrumar as malas nunca é uma coisa tão rápida de se fazer. Acho que umas 9h estávamos tomando café, depois de tentarmos correr bastante, pois pretendíamos pegar o trem para Veneza as 11:00. Como teríamos que pegar um ônibus para Val Gardena, de lá um trem para Bolzano, e dali um trem para Verona, para depois partir para Veneza, a viagem seria longa e demorada. Além disso, pensávamos que depois disso só conseguiríamos trem para lá às 13h. Felizmente estávamos enganados.

Antes de irmos, a despedida do rapaz que parecia ser dono do hotel (não descobri até hoje se era) foi tão calorosa que parecia que estávamos nos despedindo de um parente, ou de um amigo de longa data. Um amor de pessoa, cuja simpatia e alegria em não só hospedar, mas conhecer e ter um bom relacionamento com as pessoas de toda parte do mundo transborda visivelmente. Durante o café da manhã passava em todas as mesas, fazendo comentários agradáveis e demonstrando que realmente lembrava de todos particularmente. De vez em quando dizia alguma palavra em português que tinha aprendido para brincar com a gente, e todas as vezes que passávamos por ele tinha alguma coisa divertida a dizer. Tudo isso só tornava a partida mais difícil ainda.

O ponto de ônibus, como havia dito antes, era em frente ao hotel, e eu só tive a noção real disso na hora de sair, quando percebi à porta principal que era só atravessar a rua. O ônibus já estava para chegar, mas fiz questão de correr, enquanto os meninos foram devolver os esquis (só agora!!!), até a lojinha de lembranças para comprar outra garrafa do licor maravilhoso de ovo e algum souvennir. Foi aí que descobri que a loja só vendia lembranças comestíveis (por isso fiz questão de frisar isso nas postagens anteriores), e não me lembro ter visto nenhuma outra (pelo menos ali por perto) que vendesse algo para guardar de lembrança. Sendo assim, catei meu licor, uma barra de chocolate sabor strudell, e depois de quase ter perdido o ônibus por conta da demora em me atenderem para pagar, deixamos Ortisei rumo a nossa maratona para Veneza.

Chegamos bem rápido em Val Gardena, mais ou menos uns 15 ou 20 minutos. Bom, e foi aí que começou nossa saga...

Assim que chegamos compramos os bilhetes em uma das máquinas. Mas, como saber em que plataforma deveríamos esperar o trem? Não havia nenhum atendente em nenhum lugar da estação. Em Val Gardena não há bilheteria, não havia portanto ninguém para pedir informação! Paramos em uma delas, sem muita certeza do que fazer, e então Roberta e Ivan resolveram tentar descobrir de alguma forma para onde deveríamos ir. O problema é que cada um foi para um lado, e enquanto isso o trem chegou e somente a Roberta tinha voltado. Conclusão? Notícia boa: estávamos no lugar certo. Notícia ruim: o Ivan não voltou a tempo e perdemos o trem!

Ao perguntarmos ao rapaz da limpeza sobre quando passaria o próximo a reação não nos deixou nada animados. Ele não sabia e sua expressão não foi muito otimista. E todas as outras pessoas a quem perguntamos reagiram da mesma forma. Pesquisei na internet e encontrei uma tabela que mostrava que o próximo passaria só as 10:40! Tínhamos conseguido chegar a Val Gardena antes das 10:00, e além de termos que esperar muito tempo perderíamos o trem para Veneza. Um rapaz que também estava esperando o mesmo trem disse que passaria antes. Nos alegramos por um tempo, mas ele não passou. Pensamos até em pegar um táxi, mas e o medo de sair dali para procurar e o trem passar? rs.. Decidimos esperar.

Mas ainda não falei do frio que estava fazendo hoje de manhã, né? Gente, estava um frio absurdo!! Em Val Gardena não tinha neve, mas o frio que fazia era comparável ao maior dos frios que sentimos em Ortisei. O sol ainda estava muito baixo, então tudo ali era sombra. E que sombra gelada! Não sabíamos mais o que fazer para encarar aquele frio! No auge, nós quatro juntinhos sentados num banco da estação tentávamos nos esquentar debaixo de um casaco do Ivan e com nosso calor humano, pois era o único calor possível de se conseguir naquele momento. O Ivan bem que tentou dar uns pulos lá, mas não adiantou muito não. Depois de um tempo o sol apareceu e a coisa foi melhorando um pouquinho, mas nada melhor que o alívio de ver o trem encostar e poder entrar na cabine quentinha. Após encontrarmos uma cabine livre que nos coubesse juntos, pois a nossa estava trancada, não sei o porquê.

Queríamos muito ter tempo o suficiente para aproveitar nossa passagem por Verona para conhecer alguma coisa por lá (pelo menos a casa de Julieta!), mas só havia tempo para encontrar nosso binário e não arriscar perder mais um trem.

Viagem tranquila, nenhum chato desta vez (fui proibida de falar com qualquer pessoa no caminho! rs...), e chegar em Veneza foi surpreendente! A viagem não foi demorada, e não sei qual é a volta que o trem dá que quando percebemos estávamos passando por cima da água. Veneza!! De repente, Veneza!!

É interessante como cada pedacinho da Itália tem sua identidade própria. Entrar em um ônibus em Ortisei e descer de um trem em Veneza é uma mudança radical de paisagens, clima, costumes... Chegamos em um outro mundo! Ao sair da estação já se tem a primeira visão espetacular... Barquinhos passando, uma Igreja (eu acho) do outro lado do canal, além das outras lindas construções. Um cartão postal vivo bem a nossa frente.

Antes de sair da estação, porém, guardamos nossas bagagens em um lugar específico na estação para isso (pago, claro!), pois explorar Veneza carregando as malas não seria nada agradável, ou no mínimo funcional.

Bem, inicialmente precisávamos de um lugar para comer, pois os meninos tinham "molta fame" como sempre! Escolhemos um restaurante, sentamos, mas como não gostamos muito do ambiente decidimos não ficar, o que despertou a ira do garçom! Tudo porque neste meio tempo usamos o banheiro e ele entendeu que só tínhamos entrado e disfarçado para isso! E como falou! Não entendi muito bem o que ele disse não, pois quem ficou lá resolvendo com ele foi o Ivan, mas a grosseria foi grande. E esta foi a única vez em que passei por algo assim na Itália.

Com isso acabamos desistindo de comer, pois o local onde estávamos não parecia ser muito acolhedor. Apesar de tudo ser muito bonito e encantador para nós, notamos que ali perto da estação não seria um bom lugar. Pode ter sido impressão nossa, mas depois que a tivemos preferimos não arriscar.

Comprei um carregador portátil e outra bateria para o meu telefone, pois minha carga já estava quase no fim ainda no início do passeio, e dali, depois de alguns desencontros do que cada um preferia fazer, decidimos caminhar em direção a Piazza San Marco, conhecer tudo pelo caminho, passear de Gôndola e depois sentarmos em um restaurante legal para comer bem. E assim fizemos! Os meninos paravam de vez em quando para comer alguma coisa, e assim foram resistindo até a noite. Pois é, porque até isso tudo se desdobrar, considerando o horário que a noite chega aqui, já chegamos a Pizza San Marco a noite.

Mas não vamos pular as belezas de Veneza! Não entramos em museus e Igrejas para conhecer, porque não tínhamos muito tempo. Os viajantes de plantão vão achar isso um absurdo, mas era isso ou nada! Além disso, já comentei aqui no Blog que eu prefiro conhecer as ruas, as pessoas, os detalhes da cidade, a ficar o dia todo dentro de um museu. Quando quero conhecer um lugar é "O lugar", ou o máximo dele que eu puder ver. E isso nós conseguimos fazer.

Caminhamos bastante até chegar a Piazza, e foi lindo observar os detalhes da cidade. Em Veneza hoje é carnaval, que começou dia 31, e apesar de não haver festas, pois estamos em uma segunda-feira, tivemos a honra de ver passar naturalmente por nós um casal de mascarados bem ao estilo do carnaval de lá (vou colocar a foto no final). Eu sempre faço essa observação, mas de tempos em tempos parece mesmo que estamos dentro de um filme... E a cada passo um clique! Não tem como não registrar o máximo de detalhes deste lugar encantador... Tudo lá é cinematográfico, todos os ângulos tem seu charme, seu jeito, seu romantismo...

No caminho, vimos uma certa aglomeração em uma ponte, e quando buscamos saber o que estava acontecendo, eis mais um mimo de Deus! Como se não bastasse toda a beleza da cidade, as pessoas estavam ali aglomeradas simplesmente para ver e fotografar o pôr do sol! Pois é! Ganhamos de presente um pôs do sol em Veneza! Emocionante... Me emocionei de verdade. Não troco isso por nenhuma obra de arte dentro de um museu.

Mais um pouco de caminhada e pudemos ver passar as Gôndolas e seus turistas, e uma delas com um senhor tocando acordeom. Estávamos vendo passar durante a caminhada todas as grandes belezas daquela terra bem a nossa frente, bem ao nosso alcance... Como um show orquestrado, como uma amostra de Veneza para visitantes que não tem muito tempo e precisam se apaixonar ainda mais por aquele lugar apaixonante por natureza.

Ainda tem as máscaras!! As famosas e lindíssimas máscaras venezianas que, pelo menos nesta época, estão por todos os lados. São muitas lojas e barraquinhas vendendo, uma mais linda que a outra, para todos os gostos e bolsos. Eu fiz minhas compras, claro, para usar, para enfeitar, para presentear... E tive que me controlar pra não ficar muito pobre lá, porque a cada passo é uma novidade, uma cor e um detalhe diferente.

Piazza San Marco! Centro de Veneza! Várias consultas ao GPS, mapinhas no Google, até que conseguimos chegar! As ruas as vezes são muito parecidas, além de todos os canais e pontes que acabam se tornando um labirinto. São muitos canais, acho que umas 400 pontes, e muitos corredores fininhos que em determinados momentos nos confundem bastante. Mas chegamos, à noite, e consequentemente encontramos a Basílica de San Marco fechada. No entanto a visão ali de fora já é um espetáculo! Uma parte da fachada da Basílica está em obras, mas isso não diminuiu em nada sua beleza. A Praça é enorme, dá vontade de correr (eu tenho sempre vontade de correr em lugares grandes! rs.. ), e a Basílica é a mais famosa das Igrejas de Veneza.

Algumas fotos, e dali mesmo já partimos para o passeio de Gôndola. Ali pertinho há um lugar onde ficam muitas "estacionadas" (eu sei que a palavra não é essa, mas deu branco!), então não tivemos que andar muito para  conseguir um passeio. Contratamos o mais completo, que passa por quase todos os pontos turísticos, e foi muuuuito lindo! Passear de Gôndola, além de fazer parte de um sonho, foi um momento de extrema paz. O silêncio dos canais, a emoção daquele sonho realizado, a beleza de todas aquelas construções, as luzes batendo nas águas... Tudo era lindo demais! Emocionada mais uma vez...

Tudo muito lindo sim, mas lembram do frio no trenó de Ortisei? Sim, o frio durante o passeio chegou bem perto (só perto!). Cedo não estava tão frio, mas quando anoiteceu a coisa mudou muito! E dentro d'água não seria mais quentinho, né? Assim como no trenó, chegou um momento em que não víamos a hora do trajeto terminar! E quando terminou tratamos de encontrar logo um lugar para comer. Aqui, lugar para comer = lugar quentinho! rs..

Encontramos um lugar não muito caro, que pareceu ser muito bem frequentado, onde finalmente pudemos descansar um pouco e nos esquentar! Como ainda não tinha experimentado a lasagna italiana, foi o que escolhi, e gostei muito. Quando o prato chegou decepcionou um pouco pelo tamanho da porção, mas foi só impressão. Não era tão pouco como em Ortisei! Aproveito aqui para comentar sobre os preços de Veneza... Muitas pessoas nos alertaram dizendo que lá é tudo muito caro. Mas não achei! Lá foi o lugar em que vi roupas e calçados mais baratos que todos os lugares que fui. Caro é comer e passear de Gôndola! Coisas turísticas são caras, é óbvio! O Ivan achou tudo muito caro... Mas é claro! Os meninos comeram o dia todo! Não tem como não ser caro! Já hospedagem ficamos sem saber o preço, pois nem chegamos a procurar.

Ah! Também não comentei sobre a sopa de canudo! É! Em um dos lanches do caminho o pessoal resolveu tomar uma sopa em  um trailler, e a tal sopa foi servida em um "copão" (que segundo eles era o menor) onde a pessoa tomava no canudo! Eu amei a ideia! Como neste momento ainda estávamos traumatizados pelo frio de Val Gardena, dispensei a sopa mas comprei um chocolate quente. Me arrependi! Parecia um mingau, e enquanto eles tomavam a sopa de canudo eu tomava o chocolate de colher. Non mi piace! Vale também comentar sobre a atendente do trailler: vendedora nata! Estávamos passando e fomos literalmente "pescados" por ela! Nos chamou de longe oferecendo prova de bebidas e acabou vendendo um monte coisas! Parabéns pra ela e pra pessoa que a contratou!

Bom, voltando à caminhada... Após o jantar terminamos de comprar algumas coisas e fomos para a estação. Pegamos nossas bagagens, compramos nossas passagens e descobrimos que faríamos uma viagem de 6 horas para Roma. E ainda tínhamos 50 minutos para esperar! Putzz.. Estava frio pra caramba! O que fazer? Voltamos então para a rua e paramos em uma lanchonete para beber alguma coisa até a hora de sair. A Roberta, tadinha, estava com os pés cheios de bolhas já no limite de suas forças! Mas pelo menos era um lugar quente para esperarmos sentados.

Eu e Ivan bebemos acho que uns dois jarros de cerveja, na empolgação de ajudar o tempo a passar e na esperança de nos ajudar a dormir no trem! E esta espera foi muito engraçada! O Ivan danou a falar em espanhol, como se eu fosse chilena, contando todas as aventuras pelas quais passou antes de mudar para o nosso alojamento. E eu ali percebi que meus ouvidos até que estão bem treinados no "espanhol chileno"! rs... A minha tradutora oficial (Roberta) nem precisou entrar em ação! rs.. O papo  rendeu tanto que quando percebemos já estava em cima da hora de irmos! Compramos uma "birra" para beber no trem e partimos!

O trem era o de cabines, e em nossa cabine viajaram também dois senhores, pois era para seis pessoas. Primeiro ficamos sem jeito de beber ali, pois não conhecemos os costumes e a etiqueta a respeito. Mas o Ivan resolveu logo: ofereceu e, diante da recusa, perguntou se eles se importavam que bebêssemos. Disseram que não, bebemos só metade da garrafa e apagamos. Eu dormi por bastante tempo, e entre cochilos ouvi por um tempo a conversa empolgada entre eles. Quando faltava mais ou menos 1 hora para o fim da viagem, despertei me sentindo mal e não dormi mais. O problema foi que lembramos de beber, mas não lembramos de comprar algo para comer na viagem! E agora, com o efeito da bebida passando e a falta de comida "gritando", o organismo entrou em pane. Não tinha nem uma bala na bolsa! Nem um chocolate! Ninguém tinha! Nossa! Comecei a suar frio, tirei os casacos, e sem saber o que fazer fui para o banheiro para molhar o rosto, respirar, andar um pouco. A esta altura já tinha acordado o Ivan para pedir socorro, mas ele também não tinha nada para comer, não havia o que fazer!

Ainda bem que já estava perto! Melhorei um pouco depois do passeio ao banheiro e quando chegamos em casa lembramos que tínhamos uma pizza pronta congelada! Que felicidade! rs... Tínhamos pouca coisa em casa para comer, pois já era dia de voltar ao mercado, então a pizza salvou a minha vida! rs... Não consegui comer muito, apesar da fome, e fui dormir, já certa de que não iria à escola. Chegamos em casa às 7:00! Sem condições de estudar!

E foi assim que terminou meu vigésimo terceiro dia: invadindo o vigésimo quarto, muito cansada, mas muuuuuito feliz com nosso dia "nella Città dell'amore" e com nosso fim de semana perfeito em outra dimensão!

Para quem quiser acompanhar desde o início:

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Fotos!!

Congelando na estação de Val Gardena!



Trem para Verona...




Chegando a Veneza...




Em frente à Estação...





Belezas de Veneza...














As fantasias são lindas!!




A sopa de canudo no copo "menor"!




Os mascarados...



As Gôndolas...




O pôr do sol...



Aquela é a faixa do carnaval!









Chegando à Piazza San Marco...



Basilica di San Marco...









"Beirando" a Praça...


Passeio de Gôndola... As fotos não ficaram boas por causa da pouca iluminação, mas valeu pra registrar!








Esta parede é muito interessante! Isso tudo aí é dinheiro! As pessoas passam por ali e colam uma nota do seu país! É uma tradição que o dono da lanchonete mantém...


Haha! Achei que este refrigerante não existisse mais! Pelo menos no Brasil já não o vejo há anos! Tive que registrar! rs...


À espera do trem para ir embora! Olha o jarro de cerveja ali! rs...